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Cirurgia para o Diabetes Tipo 2 (Cirurgia Metabólica)

A cirurgia para o Diabetes (cirurgia Metabólica) não é algo novo como muitos pensam e como é divulgado pela mídia. Já é sabido e estudado há muitos anos que após a cirurgia da obesidade (cirurgia bariátrica) muitos pacientes alcançam o controle do diabetes.

O Diabetes Mellitus é uma doença metabólica que, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), está na lista dos cinco maiores índices de morte no mundo. O mal envolve, primariamente, o metabolismo da glicose, interferindo também no metabolismo das gorduras e proteínas, elementos essenciais ao organismo, mas que em quantidades elevadas podem causar graves consequências à saúde.

Existem basicamente três formas clínicas do diabetes mellitus: Diabetes Tipo 1, Tipo 2 e Gestacional. O DM tipo 1 é decorrente de uma destruição das células Beta pancreáticas, produtoras de insulina, gerando glicemias elevadas por falta de insulina no organismo, que é o carregador da glicose do sangue para dentro das células. O Diabetes Tipo 2 acontece em decorrência de uma resistência à ação da insulina nas células, quase sempre em adultos que ganham peso ou que acumulam gordura no abdome, independentemente do peso total. O pâncreas passa a produzir cada vez mais insulina, numa tentativa de compensar essa resistência. Destes, o diabetes tipo 2 é o mais comum e, geralmente, está associada à obesidade e ao sedentarismo. Estudos indicam que de 60% a 90% dos portadores de Diabetes Tipo 2 sejam obesos.

A importância do DM tipo 2 vem do aumento crescente da incidência desta doença na população e das complicações advindas do diabetes que levam a uma diminuição na expectativa e a uma baixa qualidade de vida.

As principais conseqüências do Diabetes Tipo 2 são: Complicações crônicas, que podem ser divididas em:
Retinopatia (acometimento da retina, podendo levar à cegueira);
Nefropatia (acometimento dos rins, podendo levar à necessidade de diálise e até de transplante renal);
Neuropatia (acometimento dos nervos cranianos e periféricos, podendo levar a amputações);
Infarto agudo do miocárdio;
Acidente vascular cerebral (derrame);
Insuficiências arteriais (podendo levar a amputações)

Impacto Metabólico da Cirurgia Bariátrica no Diabetes tipo 2

Com o surgimento das cirurgias bariátricas, ou cirurgias da obesidade, observou-se que os pacientes obesos diabéticos do tipo 2 operados tinham uma evidente melhora do controle glicêmico. E isso apenas alguns dias após a cirurgia, mesmo sem ter havido importante perda de peso. Já no pós-operatório, muitos apresentam a diminuição e, não raramente, a normalização da glicose, sem o uso de medicação. Esse resultado se deve ao desvio intestinal realizado na cirurgia, que restabelece a secreção de peptídeos intestinais, fundamentais para auxiliar a secreção de insulina pelo pâncreas.

Vários estudos demonstram remissão entre 70 e 90% dos casos, sendo evidentes as taxas menores nos pacientes usuários de insulina por vários anos, nos quais a capacidade funcional da célula beta pode estar muito comprometida. Por outro lado, a totalidade dos pacientes usuários de hipoglicemiantes orais reverte o diabetes com a cirurgia.

A cirurgia bariátrica também apresenta resultados favoráveis nos fatores de risco cardiovasculares. Há uma nítida melhora no perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos), na hipertensão arterial, na apnéia de sono, na redução da hipertrofia ventricular esquerda e no espessamento da camada íntima-média das carótidas.

A melhora na prevenção e até mesmo a reversão do diabetes são observadas nas diversas modalidades cirúrgicas bariátricas. O sucesso desta cirurgia (Scopinaro) em diabéticos é reflexo da não absorção das gorduras e intensa melhora da sensibilidade à insulina. A comparação entre o Bypass gástrico (cirurgia de Fobi-Capella) e a cirurgia de Scopinaro demonstrou que a cirurgia de Scopinaro leva a uma melhora da sensibilidade à insulina de forma mais intensa que a cirurgia de Capella. Isto, no entanto, não confere uma superioridade à cirurgia disabsortiva, pois as complicações cirúrgicas imediatas e tardias, em especial a desnutrição, são mais intensas na cirurgia de Scopinaro.

Assim, a cirurgia de Capella pode ser considerada como um procedimento com resultados positivos, decorrentes da modulação de hormônios e incretinas, sendo a cirurgia padrão-ouro para o paciente diabético obeso.

Mecanismos para Reversão do Diabetes:

Cirurgia de Fobi-Capella

Principais características:
1. Restrição calórica
2. Disabsorção lipídica
3. Redução da gordura visceral
4. Modulação das incretinas (↑GLP1 e PYY)
5. Redução da Grelina (hormônio da fome)
6. Melhora da sensibilidade à insulina

Fobi-Capella

Para obtermos um controle metabólico satisfatório, é importantíssimo que haja acompanhamento pré e pós-operatório de uma equipe multidisciplinar, orientando o paciente com diabetes sobre as mudanças que ocorrerão após a cirurgia, sobre os ajustes em seu tratamento (reduzindo gradativamente os medicamentos após a cirurgia), a inserção de vitaminas, o retorno à prática de exercícios físicos, as mudanças nutricionais e quanto à adaptação psicológica na nova vida. Desta forma, a cirurgia bariátrica no paciente com Diabetes, deve ser tratada por equipe interdisciplinar, sendo o resultado diretamente dependente desta interação entre paciente e equipe. A cirurgia é apenas uma das etapas do tratamento.

Conclusões

Devemos evitar dizer a palavra “cura“. O termo correto é remissão, ou seja, período livre da doença. Ainda é muito cedo para falar em cura. Não sabemos se após muitos anos após a cirurgia bariátrica o Diabetes não voltará. Isso é particularmente visível nos casos que recuperam peso de maneira significativa. Mas o que parece é que os resultados, embora não sejam perfeitos, são muito superiores aos tratamentos medicamentosos que dispomos na atualidade. A remissão do Diabetes por alguns anos significa ganhar anos livre da doença e de suas complicações.

A cirurgia bariátrica em pacientes com Diabetes Tipo 2 não obesos (magros), com a indicação de “curar” o Diabetes, continua sendo estudada e ainda não pode ser apresentada como solução. Trata-se de um procedimento que necessita de mais pesquisas científicas, embora acreditemos que, muito em breve, estaremos também operando pacientes magros para a resolução do DM tipo 2.

Na literatura médica, não há dúvidas de que o diabetes é uma doença crônica que deve ser “radicalmente” tratada, a fim de evitar suas complicações crônicas. Vários estudos indicam uma melhora geral da qualidade de vida, mesmo diante de restrições dietéticas impostas pelas cirurgias. A reversão ou melhora do diabetes e das alterações metabólicas associadas são acrescidas da melhora da aparência física e das oportunidades sociais e econômicas.

Em resumo, a potencial remissão do Diabetes Tipo 2 faz com a que a cirurgia bariátrica deva ser considerada como uma opção terapêutica em todos os pacientes diabéticos, portadores de obesidade.


 
 
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